"...E pensando eu no companheiro, nenhum dos meus amigos - é espantoso dizer - pareceu-me adequado; mesmo entre pessoas queridas, é rara aquela exata concórdia de vontades e costumes. Este era muito preguiçoso, aquele muito diligente, um era muito lento, o outro muito veloz, este era muito triste, aquele muito alegre, um era muito insensato, o outro mais prudente que o desejável; de um aterrorizava-me a taciturnidade, de outro a insolência, deste o peso e a gordura, daquele a magreza e a fragilidade; deste desagradava-me a fria indiferença, daquele a ardente aplicação; defeitos que, ainda que graves, são tolerados em casa - pois o afeto suporta tudo e não há peso que a amizade recuse -; mas são defeitos que, em uma viagem, tornam-se mais graves. E assim, meu ânimo descontente e desejoso de honestas deleitações, olhando ao redor fazia as suas avaliações, sem qualquer ofensa à amizade, e tacitamente recusava tudo aquilo que parecia-lhe poder tornar-se um incômodo à sua planeada viagem."
Francesco Petrarca
Familiarum rerum libri, IV,1.

Nessun commento:
Posta un commento