Executa o teu ofício, ó artífice, eu te suplico: cura, se fores capaz; se não, assassina, e exige o pagamento quando matares. A nenhum imperador ou rei, mas somente a ti, senhor da vida e da morte (conforme te gabas), isto é permitido pela cegueira da humanidade. Faze uso deste funesto privilégio! Consagraste o cérebro a uma atividade excelente e a uma prática absolutamente segura: quem quer que tenha se salvado, deve a vida a ti; quem quer que tenha sucumbido, a este, tu não deves nada além da tentativa. A morte é vício da natureza ou do enfermo, a vida é dádiva tua. Com justiça, então, disse Sócrates, depois de ouvir a respeito de um pintor que havia se tornado médico: "Agiu com cautela, pois abandonou a arte que expõe abertamente os seus defeitos, e aderiu àquela cujo erro se cobre com a terra."
Francesco Petrarca
Invective contra medicum, I, 60-64.

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