martedì, gennaio 30, 2007

Executa o teu ofício, ó artífice, eu te suplico: cura, se fores capaz; se não, assassina, e exige o pagamento quando matares. A nenhum imperador ou rei, mas somente a ti, senhor da vida e da morte (conforme te gabas), isto é permitido pela cegueira da humanidade. Faze uso deste funesto privilégio! Consagraste o cérebro a uma atividade excelente e a uma prática absolutamente segura: quem quer que tenha se salvado, deve a vida a ti; quem quer que tenha sucumbido, a este, tu não deves nada além da tentativa. A morte é vício da natureza ou do enfermo, a vida é dádiva tua. Com justiça, então, disse Sócrates, depois de ouvir a respeito de um pintor que havia se tornado médico: "Agiu com cautela, pois abandonou a arte que expõe abertamente os seus defeitos, e aderiu àquela cujo erro se cobre com a terra."
Francesco Petrarca
Invective contra medicum, I, 60-64.

sabato, gennaio 27, 2007

"...E pensando eu no companheiro, nenhum dos meus amigos - é espantoso dizer - pareceu-me adequado; mesmo entre pessoas queridas, é rara aquela exata concórdia de vontades e costumes. Este era muito preguiçoso, aquele muito diligente, um era muito lento, o outro muito veloz, este era muito triste, aquele muito alegre, um era muito insensato, o outro mais prudente que o desejável; de um aterrorizava-me a taciturnidade, de outro a insolência, deste o peso e a gordura, daquele a magreza e a fragilidade; deste desagradava-me a fria indiferença, daquele a ardente aplicação; defeitos que, ainda que graves, são tolerados em casa - pois o afeto suporta tudo e não há peso que a amizade recuse -; mas são defeitos que, em uma viagem, tornam-se mais graves. E assim, meu ânimo descontente e desejoso de honestas deleitações, olhando ao redor fazia as suas avaliações, sem qualquer ofensa à amizade, e tacitamente recusava tudo aquilo que parecia-lhe poder tornar-se um incômodo à sua planeada viagem."
Francesco Petrarca
Familiarum rerum libri, IV,1.

giovedì, gennaio 18, 2007

"Ascoltare qualcuno che legge ad alta voce è molto diverso da leggere in silenzio. Quando leggi, puoi fermarti o sorvollare sulle frasi: il tempo sei tu che lo decidi. Quando è un altro che legge è difficile far coincidere la tua attenzione col tempo della sua lettura: la voce va o troppo svelta o troppo piano.
Ascoltare poi uno che sta traducendo da un´altra lingua implica un fluttuare d´esitazione intorno alle parole, un margine d´indeterminatezza e di provvisorietà. Il testo, che quando sei tu che lo leggi è qualcosa che è lì, contro cui sei obbligato a scontrarti, quando te lo traducono a voce è qualcosa che c´è e non c´è, che non riesci a toccare."

ITALO CALVINO
Se una notte d´inverno un viaggiatore