sabato, marzo 11, 2006




As cidades e a memória
I


Afastando-se dali e andando três dias em direção ao levante, o homem se encontra em Diomira, cidade com sessenta cúpulas de argento, estátuas em bronze de todos os deuses, ruas lastradas em estanho, um teatro de cristal, um galo de ouro que canta toda manhã sobre uma torre. Todas estas belezas o viajante já conhece por tê-las visto também em outras cidades. Mas a propriedade desta é que quem ali chega numa tarde de setembro, quando os dias se encurtam e as polícromas lâmpadas se acendem todas juntas sobre as portas das bodegas e de uma terraça uma voz de mulher grita: aah!, acontece-lhe de invejar aqueles que agora pensam de terem já vivido uma tarde como esta, e de, naquela ocasião, terem sido felizes.


Italo Calvino
As cidades invisíveis

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